Êxodo capítulo 16 explica a história de um elemento preciosíssimo para o povo hebreu. É a história desse elemento que um dia seria guardado na Arca da Aliança: um vaso com uma porção de maná. Não é uma história culinária ou da tomada de decisão que a liderança hebreia teve que tomar sobre se o maná mofaria e estragaria a Arca da Aliança por dentro ou não. Na verdade, a Arca ainda nem existia. O propósito desse vaso com a porção de maná é servir como um memorial às próximas gerações de como Deus sustentou seu povo no deserto (Êxodo 16.32,33). A história é muito mais do que um relato culinário: é a história da provisão de Deus.

Pergunta: quando surge uma crise, de onde deve vir as respostas? Nossos lábios já estão programados para recitar Provérbios 16.1 como resposta a essa pergunta: “a resposta certa vem dos lábios do Senhor”. Ainda assim, como parte da liderança que está à frente da Comunidade, nossos lábios frequentemente vacilam quando as crises são dirigidas a nós e não sabemos como solucioná-las. Uma das crises difíceis de responder nossos irmãos, e que frequentemente também é a nossa crise, é por que ser conduzido por Deus nos leva ao deserto. O cenário aparenta ser incoerente, quando olhamos para o Egito e lembramos que lá estávamos sempre à beira da panela e com fartura (Êxodo 16.3). Essa é a mesma reclamação que os hebreus levaram a Arão e Moisés. Há em todos nós um “impulso da incredulidade” que nos impede de enxergar as situações como elas realmente são. É esse mesmo impulso que impede cada pessoa de reconhecer Cristo como Deus, a menos que o Espírito Santo opere em seu coração para isso.

Então, em Êxodo 16, vemos os hebreus, viciados em mediocridade, reclamando de fome para Arão e Moisés. Antes mesmo que Moisés diga algo, Deus dá para Moisés o conselho e a promessa da provisão. A palavra dada ao povo é “Chegai-vos à presença do Senhor, pois ouviu as vossas murmurações” (Êxodo 16.9). E qual é a imagem que o povo tem diante de si? A glória do Senhor aparecendo para eles como uma nuvem no deserto (Êxodo 16.10). Deus se faz presente junto àquele povo no deserto, envia sua provisão, mas nada disso impede os hebreus de persistirem em seu impulso de incredulidade. Com medo de que aquela provisão não seja suficiente, o povo retém a provisão e isso fez com que o maná se enchesse de bicho e começasse a cheirar mal. A lição disso vem quando chega o sexto dia e Deus provê não apenas para aquele dia, como também para próximo, para que o povo de Deus não tivesse que agir contra Deus ao trabalhar no dia do descanso. Ainda assim, no sétimo dia, há quem vá atrás de mais maná, como se o que Deus tivesse feito não fosse o suficiente.

Qual é o ponto de tudo isso? O ponto é: como parte da liderança da Comunidade, como lidamos com a provisão de Deus? Como lidamos com aquilo que Deus já nos deu e promete nos dar para que operemos em sua obra? Não se trata apenas de uma provisão material. Veja que não somente o povo recebeu a provisão, por meio do maná, mas Moisés e Arão receberam sua provisão como líderes, tendo o conselho e a direção certa da parte do Senhor para dar ao povo. Como lidamos com essa provisão e resistimos ao impulso de incredulidade que a carne opera em nós? Algumas lições a respeito disso:

(1) Quando as crises vêm até nós que estamos à frente da Comunidade, devemos estar atentos ao que o Senhor tem pra dizer a respeito daquilo. Toda provisão vem dele, seja a provisão material, a de conselhos ou mesmo a provisão de satisfação emocional e consolo.

(2) A cada crise que surge, nosso melhor conselho sempre será: “Chegai-vos à presença do Senhor, pois ele ouve as vossas murmurações”. Somos o povo que existe por causa da graça de Deus. Nada do que temos vem de nós mesmos, mas do Senhor. Portanto, o melhor que podemos fazer em posição de liderança (ou qualquer posição) é apontar nossos irmãos e nós mesmos para a presença de Deus: essa será a provisão da eternidade. Toda provisão que o Senhor nos dá em nossos dias neste mundo caído é uma provisão passageira, temporária. Mas quando novos céus e a Nova Jerusalém forem estabelecidos, somente uma provisão que Deus nos dá hoje continuará por toda a eternidade: a sua própria presença. Isso nos faz pensar sobre a terceira e última coisa que quero compartilhar com os irmãos.

(3) Nós, como os que estão à frente de parte da assembleia dos justos, assim como Moisés e Arão estiveram, também estamos sujeitos ao impulso da incredulidade. Somos tão necessitados da provisão de Deus como o que é novo na fé ou como aquele que parece ter alcançado um nível de maturidade espiritual que nós jamais alcançaremos. Todos nós, em nossa própria condição, somos igualmente carentes da graça de Deus. Mas o ponto é esse: nós, como líderes ou quem quer que sejamos, talvez nunca tenhamos experiências de provisão tão dramáticas como as relatadas em Êxodo, nem vejamos a glória de Deus numa nuvem no deserto como aquele povo viu, mas temos algo melhor e perfeito que aquele povo não teve. O povo de Deus não é formado de gente perfeita, tampouco sua liderança. Não somos munidos de todas as condições e conselhos para lidar com todas as situações, mas todos nós somos guiados pelo Bom Pastor, o Cabeça da Igreja. Nós, pastores em menor escala, erramos e também estamos sujeitos ao impulso da incredulidade, mas Cristo, o cabeça da Igreja, é perfeito e o Bom Pastor que nunca erra. Ele não é somente o Moisés perfeito, mas, assim como aquela nuvem no deserto, ele é a imagem perfeita do Deus invisível. Deus libertou os hebreus do Egito e mostrou sua presença parcialmente. Mas por meio de Cristo,

_“Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados. Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus. E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis.” (Colossenses 1.13-22).

Que em meio às crises, estejamos atentos ao nosso próprio impulso de incredulidade. Que entendamos que a cada demanda que surgir, Deus tem provisão certa e suficiente para o cumprimento de sua obra. Que nunca esqueçamos que a provisão que temos é fruto da graça de Deus, e não obra do nosso esforço. Que Cristo seja o verdadeiro pastor da igreja e que nenhum de nós tente roubar o lugar que é só dele. Que nós possamos entender que a provisão mais preciosa de Deus é muito melhor do que o maná guardado na Arca da Aliança para servir de memorial para as gerações. A mais preciosa provisão que o Senhor nos dá é mediada por Jesus Cristo, o sacerdote definitivo da aliança definitiva para que possamos ter a provisão definitiva: a presença de Deus eternamente. Que possamos dizer com segurança junto com o missionário Hudson Taylor: “A obra de Deus, feita do jeito de Deus, jamais deixará de contar com o sustento de Deus”.

Por: Abner Arrais

CategoriaPastoral
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