“E todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e neles sou glorificado” (João 17:10)

Em João 17 encontramos a oração sacerdotal de Jesus. Aqui Ele intercede por seus discípulos, tanto por aqueles que estavam com Ele naquele momento, como por aqueles que ainda creriam. Esta oração também constitui-se numa das mais fantásticas declarações acerca da natureza e divindade de Jesus, como também da sua missão como salvador.

Repetidas vezes Jesus cita a palavra “glória” e suas variações nesta oração. Quando uma mesma palavra é citada várias vezes num único texto, isto significa que devemos ficar atentos para o que Deus quer enfatizar. No versículo 10, Jesus fala de uma glória que só é dada mediante a sua igreja. O mundo não pode conhecer a Deus em Cristo senão pela atuação da igreja como canal propagador das boas novas. Em sua soberania, Deus separou um povo para se tornar “nação sacerdotal” e proclamar as grandezas dele (1 Pedro 2.9). Ao olhar para as coisas criadas, o mundo sabe que há um Deus (Romanos 1.20), mas cabe à igreja aproximar essa revelação apresentando-o como um Deus pessoal que se manifestou por meio do Seu Filho Amado.

É quando a igreja de Jesus assume o seu papel de propagadora das boas novas de salvação, que Cristo é glorificado no mundo. O povo de Deus deve ser o espelho por meio do qual Cristo reflete a sua glória ao mundo caído: “Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida” (Efésios 3:10). Assim, vivendo num mundo contaminado pelo pecado, cercado de trevas e maldade, as pessoas devem olhar para a igreja e contemplarem a beleza de Jesus. Essa beleza não está estampada necessariamente na arquitetura dos templos, mas na vida daqueles que foram transformados pelo poder reconciliador de Cristo.
Como discípulos de Jesus, somos responsáveis por glorifica-lo neste mundo. Ao olhar para o nosso estilo de vida, para a forma onde colocamos nossas prioridades, para a nossa vida submissa a Deus e engajada com o seu Reino, as pessoas devem conhecer o modelo divino para a humanidade.

A igreja glorifica a Cristo quando se dispõem a fazê-lo conhecido a cada pessoa que ainda não o conhece – isso se chama evangelização. Mas a igreja também glorifica a Cristo quando cumpre o seu papel sacerdotal de ser um modelo de entrega e obediência a Deus – isso se chama adoração. Na adoração, Cristo é glorificado em nós – na evangelização, Cristo é glorificado através de nós.

Deus não espera que os anjos façam isso, Ele espera que a Sua Igreja cumpra esse papel. Toda a ação da igreja deve ser realizada em torno desse eixo central: glorificar a Cristo no mundo. Por isso Jesus não ora para o Pai nos tirar do mundo (João 15.15), porque enquanto estivermos aqui, encheremos esse lugar da glória de Deus adorando e evangelizando, adorando e evangelizando…

Como discípulos de Jesus, devemos nos levantar e tomar sobre nós a tarefa de glorifica-lo nesse mundo tão saturado pelo pecado. Se aqui o pecado entrou, aqui Jesus veio e entregou-se para levantar um povo que o glorifica em meio à iniquidade. Os anjos o adoram num ambiente celestial incontaminado pelo pecado, mas a maior glória está em Deus ser exaltado num mundo cheio que maldade por meio dum povo que antes estava nas trevas e agora foi “transportado para o reino do Filho do seu amor” (Colossenses 1.13).

Marcos Arrais

CategoriaPastoral
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