“E no mesmo instante feriu-o o anjo do Senhor, porque não deu glória a Deus e, comido de bichos, expirou” (Atos 12:23)

Vivemos numa sociedade que valoriza o culto à personalidade. Na política, na arte, nos negócios, na religião e em nas demais esferas, percebemos o quanto o homem busca promover a sua própria imagem, divinizando-a. “O papa é pop”, já cantou alguém. Mas não é só o papa – é também o pastor, o cantor e o ditador. Nossa geração foi picada pelo bichinho da fama. Cada um busca nem que seja pelo menos seus cinco minutos de celebridade ainda que para isso precise vender a alma ao diabo.

Por falar em diabo, ele sempre está por trás desse sentimento, pois foi o primeiro a querer engrandecer-se como Deus: “Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” (Isaías 14:14). Foi Satanás quem desejou o lugar de Deus, e para isso procurou o caminho da rebelião. A partir de então tem buscado semear no coração do homem desejos gananciosos e petulantes de receberem a glória devida ao Eterno. Ao tentar a mulher no Éden, a sedução era: “e sereis como Deus” (Gênesis 3:5). Gênesis 11.4 deixa evidente a motivação dos homens ao construir a torre de Babel: “Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e tornemos célebre o nosso nome…” (Gênesis 11:4).

Ao vir ao mundo dos homens, Jesus teve que lidar com essa maldição. Na sua encarnação, despojou-se da sua glória para submeter-se a um corpo limitado: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Filipenses 2:5-7). Foi Jesus quem disse: “Eu não recebo glória dos homens” (João 5:41); e ainda acusou: “Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus” (João 12:43). Jesus ensinou o caminho do serviço e da humilhação e não da arrogância e autopromoção como forma de entrar no Reino de Deus. Infelizmente muitos de nós estamos na contramão desse caminho!

Tomemos como exemplo João batista que disse: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (João 3:30). Mesmo sendo considerado por Jesus como o maior de todos os profetas (Lucas 7.28), João sabia qual era a sua posição como homem e jamais ousou trazer para si uma glória que não lhe pertencia. Paulo e Barnabé também não aceitaram serem tratados como deuses (Atos 14.13-18).

Num mundo saturado pela “soberba da vida”, ou seja, pelo egoísmo e desejo de obter vantagens a todo custo, temos o compromisso de dar lugar ao nosso Rei. Somos apenas espelhos que refletem a glória de Deus, apenas isso! Não podemos permitir que elogios, títulos ou qualquer outra forma de status corrompa o nosso coração. Devemos manter-nos humildes e conhecedores que nada possuímos que “dele” não temos recebido. Nesse quesito, devemos ser intransigentes: “Jesus respondeu: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso Deus” (João 8:54).
Semelhante a Herodes, muitos de nós, por não saber lidar com elogios ou posição, têm morrido espiritualmente. Buscar a própria glória não é apenas tolice, é loucura (João 8.24)! Que assumamos nosso papel de dar somente a Deus a honra e glória que lhe é devida e jamais caiamos na sedução de Satanás, mas que, assim como os vinte a quatro anciãos, lancemos nossas coroas aos pés daquele que é digno de toda honra e toda glória para sempre (Apocalipse 4.10,11).

Marcos Arrais

CategoriaPastoral
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